sexta-feira, setembro 05, 2003

Show do Coldplay

O trânsito no Leblon está parado, isso não pode ser um bom sinal. Desde a fatídica apresentação do U2 em 98 no Autódromo que parou a cidade e me fez levar 4 horas para chegar tenho trauma de shows na Barra. Não saio da terceira marcha até São Conrado quando por nenhum motivo aparente voltamos a velocidade normal e volto a ter esperanças de chegar antes de iniciarem a primeira música. O estacionamento do Via Parque está lotado o que me faz pensar se o Rio dispõe de tantos desocupados que encaram numa boa pagar os R$60,00 pelo ingresso em plena quinta-feira. Paro o carro e procuro a entrada, já passamos da hora oficial de início. Dou duas voltas pelo shopping, encontro diversas figuras que esperava encontrar, de outras eu fujo e finalmente descubro que a entrada é pelo lado de fora. Meu receio sobre os desocupados cariocas é verdadeiro, a fila é quilométrica mas anda rápido, em São Paulo os ingressos esgotaram e ainda custavam cem reais. Pensando bem, sempre soube que há mais desocupados com dinheiro na paulicéia.

Passamos pela revista, entramos e ao avistar o palco começam os primeiro acordes de "Politik". Nem dou bola, não gosto tanto dela e quero cerveja. Se você não conhece, o ATL Hall depois da reforma é quase um cinema Multiplex. Tem pipoca, cachorro quente, refrigerante, balcão de lanchonete e os mesmos preços exorbitantes. A exceção é que nos Cinemarks da vida não se vende cerveja, aqui ela custa R$4,00. Pais garotões passeiam com seus filhos de 6 e 8 anos, agora eu realmente me sinto indo assistir um filme dublado da Disney. Pegamos as cervejas, encontro outras pessoas que não esperava encontrar naquele ambiente e me pergunto o que leva uma pessoa a ir de terno ou casaco fashion de couro e gola rolê a um show de rock. Besteira. Duas gringas perguntam onde se vende "birra" uma senhora quase derruba a minha e pegamos um lugar a 15 metros do palco no qual caberiam ainda mais uma dúzia de pessoas. Quatro telões dividem o espaço com refletores e toda parafernária de iluminação que foi trazida pelo grupo. Para tanto rebu sobre a qualidade do equipamento eu achei o som um tanto quanto " a desejar" mais para "já vi(ouvi) melhores". Termino a primeira latinha junto com "God Put a Smile Upon Your Face". Chego a concordar. Espero ver qual vai ser a próxima música, acho que era "Amsterdam", ligo o botão de pause e saio para comprar mais "birra". Sempre é aquela velha divisão: fãs ardorosos no gargarejo, pessoal mais animado logo atrás e a densidade diminuindo a medida que se aproxima dos fundos. Felizmente o ATL Hall foi projetado para ser uma casa de espetáculos e construído seguindo curvas de níveis funcionais para que o público de trás esteja mais alto que os da frente tendo uma melhor visão. Posso chutar que pelo menos metade da platéia era fã e a outra banda foi por moda, onda ou arrastada pelos amigos. Quando "The Scientist" tocou alguns acompanharam, mas foi "Clocks" que levantou os inertes. O grande barato dos shows não é a performance ao vivo, prefiro estúdio que é mais trabalhadinho e a obra definitiva, mas a catarse da massa que pula, canta, chora, se abraça como em um transe grupal. Fumaça e canhão laser no bis, começa "In My Place", agora é festa. Tudo termina rapidamente voltamos a realidade, o caos que imaginava que seria em sair do estacionamento nem aconteceu. Pessoas se encontram do lado de fora e marcam de se encontrar perto da van azul na saída B e hoje com certeza a banda está voando de asa-delta.

Ah! Nem vi sinal da Gwyneth Paltrow, mas posso me contentar com a Drew.

Playlist do Show: POLITIK , TROUBLE , GOD PUT A SMILE UPON YOUR FACE , SHIVER ,THE SCIENTIST ,DAYLIGHT ,WORLD TURNED UPSIDE DOWN , EVERYTHING’S NOT LOST , POOR ME , YELLOW, AMSTERDAM , CLOCKS , IN MY PLACE , A RUSH OF BLOOD TO THE HEAD

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