segunda-feira, junho 09, 2003

A cidade joga contra...

Hoje meu carro foi arrombado. Desde que perdi a vaga na garagem, a dona alugou o apartamento, paro o carro na rua até encontrar outra. Pela manhã algum meliante resolveu faturar um trocado e envergou a minha porta levando o CD Player, uns 20 CDs (todos gravados porque não ando mais com originais no carro), uma caixa de chicletes e boa parte da minha confiança e orgulho na cidade. Fui até a 14a DP do Leblon registrar o fato abrindo um boletim de ocorrência com o investigador Nelson. Sei que este BO vai servir apenas como um número na estatística e mais um pontinho vermelho no triste mapa de furtos do bairro, afinal o que vão fazer? Ninguém viu, ninguém escutou nada, nem o porteiro do prédio da frente ou o guardador do vaga-certa que fugia do meu olhar quando tentei falar com ele. Afinal foi apenas um ladrão que de manhã cedo viu uma oportunidade de ganhar R$50,00 invadindo e quebrando propriedade alheia no qual vai me custar por baixo R$1.000,00 entre lanternagem e substituição das peças. O pior é que o mesmo investigador não recomendou abrir perícia ou processar o estado, pois não ia dar em nada, e ainda disse que eu não deveria parar o carro na rua. Enfim, se o próprio policial que deveria prover segurança me alerta de que a cidade é perigosa que confiança me resta? É o flanelinha que pede "aquela força" em troca de não quebrar o vidro e arranhar o carro? É o garoto de seis anos no sinal que ameaça estourar a minha cara se eu não cooperrar? Como o Pacha bem disse por email, o Rio é de um contraste que chega a beirar a ficção, um verdadeiro retrato de Dorian Gray: a cidade continua bela e exuberante, mas a sua alma segue corrupta e degradante. Nossa cidade é realmente linda, mas até que ponto poderemos nos manter apegados a isso? Eu sinceramente acho que beleza não é tão fundamental como dizia o poeta.

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