domingo, maio 11, 2003

Bowling for Columbine

Ontem finalmente fui assistir a pré-estréia de Tiros em Columbine de Michael Moore. Apenas um comentário: deveria ser obrigatório de que todo norte-americano assistisse ao filme. Moore, o gordão bonachão e ganhador do Oscar 2003 por este documentário, eu conhecia desde o seu programa TV Nation que passava no GNT. Neste último mês com o polêmico discurso (para os carinhas lá de riba) na premiação ele ficou mais do que exposto para o público.

O filme/documentário é bom, muito bom, por um único motivo: ele critica a sociedade norte-americana sendo um deles. E pega pesado, na verdade ele esfrega a verdade nos espectadores. Seria fácil para qualquer francês fazer o que Moore faz, mas todos diriam que o mundo não gosta dos norte-americanos, tem inveja da nação mais poderosa do planeta etc etc. No caso dele isso não acontece. Ele é branco, cau-ca-si-a-no (como dito no filme), obeso, de cabelos desgrenhados, usa boné e um casaco surrado. Enfim, um estereótipo típico de um norte-americano comum e ele é chato, muito chato, corre atrás, persegue as grandes empresas e expõe a falta de preparo e informação do cidadão médio.

O assunto é simples: porque os EUA é o país mais armado e com maior taxa de assassinatos por arma de fogo? A resposta é tão simples quanto a pergunta: medo. A culpa ou responsáveis por esta estátistica são vários, expondo um a um desde a imprensa com os notíciarios sangrentos até a violenta história do páis que nasceu na base da porrada. Compara os EUA com seu vizinho Canadá que dispõe de condições similares (7 milhões de armas para 10 milhões de famílias) mas no qual em uma pequena cidade registra apenas uma morte em três anos.

O pior de tudo e sair da sessão e lembrar que na sua cidade tiroteios são comuns. Que na favela traficantes usam armas automáticas e os índices de mortes por arma de fogo aumentam diariamente. Rir e achar que os norte-americanos são loucos por amarem tanto suas armas é fechar os olhos ou ser hipócrita sobre o que está acontecendo na cidade.

Michael Moore deveria vir ao Rio de Janeiro fazer um documentário sobre a violência e o governo Rosinha/Garotinho. Duvido que ele achasse graça.

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