Sobre a Última Coluna da Cora...
Lendo a
última coluna da Cora no Segundo Caderno me toquei de que sofro do mesmo mal: não consigo me desligar do trabalho. Quer dizer, tenho histórias similares como todos e acabei me identificando em vários pontos. Ontem mesmo, domingão de sol, saí de casa e fui a praia. Não que isso seja uma aventura afinal moro a poucos metros da areia e por isso mesmo sempre fico no mesmo ponto em frente a minha rua, mais precisamente na Barraca do Expedito. É impressionante a quantidade de serviços oferecidos, faz qualquer aspirante a "emibiei" de marketing um réles aprendiz na prática. Sempre saio de chinelo, camiseta e bermuda, mais nada. Chego no Expedito e alugo uma cadeira de praia a R$2,00. Se esqueci o protetor solar ele "empresta" por mais um real. Escolho meu lugar, sento e começo a ler meu livro: "Smart Mobs", muito bom por sinal um dia comento por aqui. O calor começa a apertar aparece o Expedito me oferecendo uma água de côco. Se a coisa piorar pego uma barraca ou vou me refrescar na ducha de água doce que fica ao lado da barraca. Putz! Esqueci de avisar que não vou almoçar em casa! Não tem problema, pego o celular da barraca e ligo avisando. Ao final do dia pago ou anoto os gastos no livro do pendura. Enfim, uma gama de serviços e atendimento personalizado mas não era sobre isso que eu ia falar...
Eu gosto do que faço, gosto mesmo. Talvez pudesse fazer coisas diferentes como ser fotógrafo da National Geographic mas dentro do que faço eu gosto e faço bem. Acho que por isso não consigo tirar a cabeça do trabalho, de gostar tanto acaba fazendo parte intríssica da nossa vida. Ontem mesmo sentado na areia estava lendo um livro sobre comunidades e padrões de comportamento da próxima geração que nasce teclando no celular ao invé de apenas falar no aparelhinho, a tal das "smart mobs". Faz parte do meu trabalho mas eu adoro esta leitura e faço por prazer. Lendo o livro e olhando ao redor começo a fazer relações entre o grupo mais adiante onde está o meu irmão conversando com os amigos dele e um mesmo grupo na Finlândia e Japão. Começo a procurar um lápis, uma caneta ou algo para escrever e assim não perder o insight do momento e me dou conta de que estou trabalhando. Isso é ruim? Estou mesmo trabalhando? É necessária uma barreira tão grande em nossa vida? Isso aqui é trabalho tem hora e local e isso aqui é diversão. Agora mesmo estou no meu horário de trabalho (almoço na verdade) escrevendo estas linhas enquanto deveria estar trabalhando. Acho isso muito relativo criar barreiras muito demarcadas acho que pode ser tão prejudicial quanto não cria-las. Não costumo levar trabalho para casa, não gosto mesmo, quero descansar, sair, namorar ou assistir um DVD em paz. Claro, todo exageiro ou extremismo é prejudicial mas isso nunca me afetou ou aos outros que me rodeiam exatamente por um mundo permear o outro de maneira muito suave. Bem, é isso. Pode me chamar de workaholic mas amo o que faço. :)
posted by Hiro at 17:41
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