quinta-feira, novembro 28, 2002

Por falar em amor...

Nunca consegui ser um bom poeta, sempre me achei clichê, brega e redundante ao extremo. Relendo Tio Gaiman e sua obra mais conhecida, a série Sandman, em uma mensagem do Roberto Fabrício lembrou a passagem de Rose Walker na série “The Kindly Ones”:

“Amor...

Você já amou alguém? O Amor te faz tão vulnerável. Ele abre seu peito e seu coração e diz que alguém pode entrar em você e lhe enlouquecer. Você constrói todas estas defesas. Você constrói toda esta armadura, por anos e anos, de maneira que nada possa lhe ferir, e então uma pessoa estúpida, que não é diferente de nenhuma outra pessoa estúpida, vem vadiar na sua vida estúpida...

Você dá a eles uma parte de você. Eles não estão pedindo. Eles fazem coisas tolas, um dia, como lhe beijar ou lhe sorrir, e de repente sua vida já não é mais sua.

O Amor faz reféns. Ele penetra nas suas entranhas. Ele lhe devora e lhe deixa chorando na escuridão, e então uma simples frase no estilo “talvez a gente devesse ser só amigos” ou “que bom que você percebeu” se transforma em um cortador de vidro trabalhando direto rumo ao coração.

Ele faz doer. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É um ferimento-alma, é um ferimento-corpo, é um ferimento-entra-em-você-e-despedaça-você .

Nada deveria ser capaz de fazer isso. Quanto mais o Amor.

Eu odeio o Amor...”

É... Tio Gaiman sabe mesmo das coisas.

posted by at
:: 0 comments