sábado, julho 20, 2002

Mahna Mahna *

Quase esqueci de contar.

Na segunda-feira fui assistir a mostra UK3 do Anima Mundi, uma coletânea de clips britânicos que o British Council junto com a Aardman apresentaram no Odeon. Fui de taxi e morri em R$16,00, para evitar outra facada resolvi pegar um "frescão" (como nós cariocas chamamos um ônibus especial com ar-condicionado) para voltar pro escritório em Ipanema. Meia hora esperando o maldito ônibus e nada. Finalmente avistei um deles ao longe, mas era o Alvorada e não o Leblon que eu esperava. Dei de ombros, afinal o Alvorada também passa em Ipanema e ainda iria pela orla, melhor para mim, pensei. Esqueci que esta linha vinha do aeroporto do Galeão e fazia uma ponte-rodoviária no Santos Dummond, mais 15 minutos de espera. Quando o pessoal do aeroporto subiu no ônibus a última passageira a entrar foi uma gringa. Branca, loura, cabelos curtos, óculos de aro preto daqueles quadradinhos apertadinhos fashion e as famosas mochilas de 80 litros. Ela entrou espirrando muito por causa do forte ar-condicionado e sentou na poltrona atrás da minha. O ônibus então parte e pega o Aterro do Flamengo.

No meio do caminho, o cobrador passa de cadeira em cadeira recolhendo o dinheiro da passagem. Paguei o meu e em seguida foi a vez da gringa. Passaram alguns minutos e ela e o cobrador estavam tentando se entender. Resolvi me entrometer no papo para ajudar. Ela apontava algo no guia com um Brazil estampado, no mapa da cidade, e o trocador tentava explicar que passava perto. Conversamos e ela disse que estava indo o Hotel Vermont em Ipanema que por coincidência fica ao lado do meu escritório, literalmente porta-a-porta. Disse que quando estivéssemos chegando perto eu avisaria e como era meu caminho não custava nada deixa-la no hotel.

Fomos conversando no caminho, ela estava voltando de uma reunião em São Paulo, segundo ela a cidade "mais cinza e feia" que viu na vida. Palavras dela, não minhas. E que estava com este resfriado maldito por causa do frio e da corisa causada pela poluição. A conversa continua, o tempo passa e digo que já estamos chegando. O trânsito na praia estava insuportável por causa do tráfego em direção a Barra e resolvemos saltar e ir andando, afinal eram apenas quatro quadras de distância. O papo continuou e perguntei de onde ela era e o que fazia. Ela disse que era polonesa e trabalhava em uma ONG. Quer dizer :

- Bem, a resposta mais simples é que eu trabalho em uma ONG.
- Ok, e qual é a outra resposta?
- Que eu faço o Muppet Show. Conhece?
- Se eu conheço? Eu fui criado vendo os Muppets praticamente!
- Sério?!? Não sabia que a série passava aqui no Brasil!

Pois bem, conheci a Miss Piggy. Quer dizer, não a original. Ela faz parte de uma organização que viaja pelo mundo fazendo apresentações para crianças carentes. Logo chegamos no hotel, eu entreguei uma das mochilas que estava ajudando a carregar :

- Ok, entregue. Prazer em conhece-la Miss Piggy. *brincando* Mande um abração pro Caco e companhia!
- Pode me chamar de Eva. É o meu nome, ou pelo menos como os meus pais me chamam. *ela rindo*

Nos despedimos como velhos amigos, ela seguiu para o saguão do hotel e eu para o escritório com um sorriso bobo estampado na cara. Só conseguia pensar no tema de abertura dos Muppets...

* o que é um mahna mahna?

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