domingo, julho 07, 2002

CDs do Dia

É faz tempo que eu não recomendo nada, então limpando a estante aqui de casa coloquei dois CDs que me trazem boas lembranças da adolescencia. Por falar nisso, porque a nossa geração é tão nostálgica? Frases do tipo : "Pô! Bom mesmo era antigamente! Os desenhos eram melhores... As músicas eram melhores..." e por aí vai. Eu discordo. Acho que a geração atual vai falar o mesmo daqui a 10 anos, mas tudo bem, vamos ao que interessa :

R.E.M. - Eponymous
Este disco me marcou. Era aquele que não saia da vitrola ("pô! bom mesmo era o vinyl," blé) ou do walkman, especialmente em viagens. Basicamente é uma coletânea de singles dos cinco primeiros álbuns do grupo. Para mim, a melhor fase do grupo. As músicas foram muito bem selecionadas, não faria melhor, e conta com o repertório da IRS, gravadora "cool" antes de cairem no mainstream pela Warner e estourarem para o mundo com "Losing My Religion" e a meladinha "Shinny (ou Shitty como eu falo) Happy People". Bem, vamos as faixas do álbum :

1. Radio Free Europe - Esta é a versão original da música, um pouco diferente de "Murmur", o primeiro álbum do REM.
2. Gardening at Night - Que se não me engano é do Dead Letter Office (outro disco que quase furou de tanto tocar em 89) mas vem em uma versão especial do Murmur como bonus track.
3. Talk About the Passion - Eu acho esta meio chatinha, mas acredite, é boa. Daquelas músicas de dia de chuva em Itaipava.
4. So. Central Rain (I'm Sorry) - Começa alegre, bem folk, até cair no refrão e lamento.
5. (Don't Go Back to) Rockville - Alegrinha, pra frentex, rock básico. Na verdade um country básico.
6. Can't Get There from Here - Eu teria substituido por "Pretty Persuasion", mas...
7. Driver 8 - Foda. É como eu descreveria em uma palavra. Com certeza uma das melhores do REM.
8. Romance - Na verdade, esta música não está presente nos álbuns anteriores. Inédita.
9. Fall on Me - São poucas as músicas que me emocionam e eu digo, esta é linda! Talvez a música que eu mais goste deles.
10. The One I Love - Um clássico do REM. Quem nunca a ouviu tocar em festinha com Coca-cola?
11. Finest Worksong - Versão "trompetada" do "Document".
12. It's the End of the World as We Know It... - Outro clássico. Ainda me lembro da primeira vez que escutei esta música em um clipe do Steve Caballero, um skatista das antigas para quem não conhece. Corri para o vídeo, gravei a música e depois passei para uma fita cassete podreira. Não cansava de ouvir e tentar entender o que ele cantava. Segundo o Michael Stipe, nem ele mais sabe a letra.

O Eponymous é um álbum importado, por isso difícil pacas de achar. Aqui no Brasil saiu uma coletânea MUITO parecida, "The Best of REM". Você encontrava este CD em promoções da vida. Dá uma procurada, vale a pena apenas para conhecer a fase "não famosa", para mim, a mais criativa e indepentente da banda.

Social Distorcion - Somewhere Between Heaven and Hell
A primeira vez que eu escutei este CD estava comprimido no banco do carona de um Gol GTI a 140 Km/h na Sernambetiba. O louco do motorista berrava insanamente as letras da música enquanto eu olhava assustado, para não dizer desesperado, tentando me segurar melhor possível nas curvas. Aí eu entendi o título do CD. Isso foi em 93, de lá pra cá tenho medo de colocar este CD no carro. Ele pede velocidade, é música de pega, e eu me animo pisando no acelerador.

"Cold Feelings", a música que abre o CD, é pura adrenalina e porrada. Panque Pancada. Punk é como classificam o Social Distorcion, eu discordo, eles flertam muito com o rockabilly e o blues, principalmente com o blues. Escute "Bad Luck" que você vai entender o que eu quero dizer. "Making Believe" é um gospel orquestrado por guitarras. "Bye Bye Baby" é rockabilly puro, música de pega em Cadillac. "When She Begins" é o outro hit.

O álbum não chegou a estourar lá fora, nem sequer saiu aqui no Brasil, mas teve tudo para ser um grande hit. Enfim, vale a pena correr atrás se você gosta de um punk sem compromisso com raízes no blues. Como bem disseram uma vez, é uma mistura do country de Johnny Cash com a ferocidade e porrada do Clash.

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