segunda-feira, março 11, 2002

Mais do que um show. Um espetáculo.

Independente se você gosta ou não de progressivo ou do Pink Floyd, o show deste sábado foi algo imperdível. Foi um show no qual não estamos acostumados a ver no Brasil. Mesmo as grandes produções como o Rolling Stones, Rock in Rio ou U2 não contém a carga de emoção que é ver e ouvir um dos grupos que mais influenciou a história do rock. Ok, eu exagerei. Ainda estou atordoado com a experiência, afinal, depois de 15 anos na espera nem um "cigarrinho" sossega.

Pink Floyd começou na minha vida na adolescência. Você pode categorizar os fans em duas facções: os tarados por Pink Floyd, aqueles que tem toda a discografia e já tocaram colocaram "Dark Side of the Moon" junto com o mágico de Oz para ver se o som casava e aqueles que compraram "The Wall" por ser uma obra essencial na coleção ou por que seu amigo da primeira categoria te emprestou babando. Eu pertenço ao segundo grupo, demorei um tempo para digerir e gostar, afinal, engolir uma música de 20 minutos a seco como em "Atom Heart Mother" (o famoso disco da vaca) não é para qualquer um. Assim como "admirador" da banda me juntei aos milhares de "tarados" na catarse que foi cantar "Time", "Money" entre outros clássicos. Apenas tente imaginar o que são 35 mil pessoas pulando em transe berrando por todos poros, cometendo um crime com as suas cordas vocais e garganta ao entoar o hino de uma geração, "Another Brick in The Wall". Fato: Apenas para você ter idéia do efeito, houve um quebra-quebra, o pessoal ficou ensandecido chutando latas de lixo e gritando "abaixo a tirania dos freis!" quando toquei esta música em um recreio há 10 anos atrás no meu ex-colégio. A rádio quase foi fechada definitivamente por causa do evento. Pois bem, desta vez não houve nenhuma revolução estudantil, apenas um mar de gente em unissono onde você não sabia distinguir o que vinha das caixas e o que era o público.

Ponto alto, o espetáculo múltimídia :: Este foi meu primeiro show "home-theater". Vou explicar, além das poderosas caixas-frontais, nas laterais da platéia assim como ao fundo, haviam caixas cujo o único proprósito era de criar efeitos sonoros. Assim como em seu DVD, a qudrifônia funcionou como um catalizador de emoção que já acontecia. Um louco gargalhava ao seu ouvido, uma Ferrari cruzava a Apoteose, explosões e mesmo a gritaria de um público fake aumentava e enriquecia a experiênca exponencialmente. O palco se tornava um grande telão. Três canhões projetavam imagens maravilhosas e de uma qualidade quase perfeita em sincronismo com as músicas. A qualidade e a direção de arte, agora falando como designer, estavam realmente muito bem produzidas. Certa hora o palco estava recheado de gotas psicodélicas, em seguida um mar de estrelas e então era tomado por uma gigantesca lua com a Terra ao fundo. Quando o prisma de "Dark Side of the Moon" apareceu tenho a impressão que dois ao meu lado desmaiaram de emoção.

Sobre a infra :: Não gosto e nunca gostei da Apoteose como local de shows. Desde do falecido Hollywood Rock acho que é tentar forçar a barra transformar um "sambódromo" em outra finalidade. A função ao qual ela foi construída não é essa, é de ser uma longa avenida para desfiles de mulatas e ex-primeiras-damas americanas bobas no camarote, mas... A entrada foi tranquila e segura, afinal depois de três postos de checagem o malandro que furasse esta barreira podia ser chamado de Houdini. Se bem que eu comprei cerveja de uns três Houdinis lá dentro mas isso não vem ao caso. Os banheiros como sempre eram aquela coisa, faltavam. A maioria do pessoal resolvia seu problema ali mesmo no muro:

- Aí cara! Mijei no "The Wall" !!!

Cerveja não tinha, só Kaiser que era o patrocinadora do evento. Mato queimado como sempre e de praxe especialmente no show do PF que abundava. Parecia queimada no Mato Grosso. A "nhaca de show" (tm) (cheiro acri-doce característico: uma mistura de vômito, mijo, maconha e suor) imperava impedindo seu sistema olfativo de operar corretamente, só por instrumentos. O público felizmente estava bem comportado e variava dos "perdidos em Woodstock" até os "Sem-pescoço". Também, com ingresso a cinquenta reais realmente só quem estava a fim de ver o show compareceu e não queria confusão. O problema mesmo foi como sempre a saída. Quando a turba sai da Apoteose não há meios de transporte suficiente para conter a massa ensandecida. Fomos de taxi, esperei 20 minutos por algum livre e nada. Resolvemos sair andando pela Mem de Sá e só paramos na Lapa. De lá seguimos ao "Lamas" que estava lotado de pessoas que tiveram a mesma brilhante idéia de beber, comer e falar do show.

Os finalmentes :: Se você mora em Sampa ou em PoA e ainda não decidiu se vale a pena ir no show, fica a minha recomendação : VÁ!

- Ah! Mas eu não curto o Pink Floyd...

Dane-se! Você vai perderrr... É um puta evento gráfico, vale pelo vozeirão da backing vocal que deu um show de solo e pelo duelo de guitarras em "Confortably Numb". Vale em ver talvez o primeiro e último show do Rogério Águas aqui em terra tupiniquim. Vale por assitir ao vivo, a cores e em Dolby Surround um espetáculo, mesmo que seja apenas um integrante (Amém David Gilmour! Amém!) de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos! Vale por que por apenas cinquenta reais você pode trazer a nostalgia e um gostinho da adolescência de volta.

Tô é ficando velho...

OBS : Post de dicado ao Fernando, um "doente" por Pink Floyd e o culpado por me apresentar a banda por osmose.

OBS 2 : , não te falei que valia a pena te arrancar de casa para ver o show? :)

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