domingo, outubro 21, 2001

Nova série de "Jornada nas estrelas" bate recorde

A nova série de "Jornada nas estrelas" foi recorde de audiência nos EUA. O
episódio "Enterprise" atingiu o índice mais alto de telespectadores da TV
americana desde o atentado terrorista de 11 de setembro. De acordo com o
"Hollywood Reporter", quase 16 milhões de pessoas assistiram ao programa de
duas horas de duração, exibido pelo canal UPN.

Admito. Sou trekker. Não destes que veste uniforme ou orelhas postiças de vulcano mas acompanho a série Jornada nas Estrelas (Star Trek) desde moleque. Aos 5 anos de idade juntava várias caixas de papelão, alguns lençois e construia a minha Enterprise com meus brinquedos como os botões e computadores da ponte de comando. Todos os dias que passava a série na Bandeirantes era aquela correria para me preparar antes que começasse o episódio na Bandeirantes, e claro, fugir do chinelo da minha mãe para desarmar toda aquela traqueira depois. O tempo passou e meu pai me levou para assitir vários filmes das aventuras do trio Kirk, Spock e McCoy na tela grande. Em 90 eu conheci uma loja muito especial, a Além da Imaginação, que ficava no além-poça, também conhecido como Niterói. Todos os sábados o programa era atravessar a baía de Guanabara de barca e passar a tarde conversando, jogando RPG, lendo e claro assistindo aos episódios de uma nova série chamada Star Trek - Nova Geração.

A logística era sinistra. Algum maluco que viajasse para os EUA gravava os episódios, trazia para o Brasil onde eram devidamente copiados para trocentas outras fitas. Alguns video-cassetes não paravam um segundo sequer para gravar, funcionavam 24 horas sem parar para saciar a fome de todos. Uma rede de tráfico de fitas foi criado na cidade, a moeda vigente eram as fitas VHS, se eu te gravasse uma, você me daria outra como pagamento fora a que foi gravada. Assim consegui ter quase toda a TNG (The Next Generation - a Pepsi acabou copiando o slogan) em fita, que hoje em dia já passeia pelas prateleiras aqui de casa comendo algumas moscas desafortunadas de tanto fungo que deu. A dita perdurou por 7 temporadas, ou anos, e foi uma das maiores audiências nos EUA dando origem a mais 3 novas séries : Deep Space 9, Voyager e a nova Enterprise. A adolescência passou assim como o meu interesse pelo assunto. Vestibular, faculdade, mulheres, bebida, maconha, estágio, trabalho, despesas acabaram ocupando o tempo e simplesmente parei de acompanhar a série.

2001. Internet de banda larga (se você ainda considerar 256Kb/s como broadband) e programas P2P (Pitupí, também conhecidos como Peer-to-Peer como o Kazaa, Morpheus, AudioGalaxy ou o eDonkey) os tempos mudaram. Agora em poucas horas consigo baixar o episódio da semana digitalizado. Se eu quiser posso passar para fita ou mesmo para um VCD que o meu DVD lê na boa. Nada daquela rede de tráfico de fitas, que se você analizar bem era um P2P analógico e primitivo. Afinal o conceito de Peer-to-Peer está exatamente em você compartilhar arquivos, sejam eles documentos, vídeos, mp3, programas o que seja. Como já foi muito bem colocado pelo André Forastieri é um grande troca-troca. Nada se surubas como você pode estar pensando, mas o ato de trocar figurinhas ou mesmo de mostrar a todos coisas bacanas que você gostaria de compartilhar. Era o mesmo espírito, o mesmo princípio.

Desde semana passada meu micro está ligado 24 horas por dia, virou um grande servidor de arquivos. Pelas estatísticas do programa já baixei 7,28 e subi 3,92 Gb. Já assisti ao primeiro episódio da nova série Enterprise, duas entrevistas, um especial e o último que foi ao ar dois dias atrás. Não existem mais barreiras, os fãs agradecem. Vida longa e próspera ao P2P!

OBS : Minha recomendação também ao episódio final de Voyager : End Game. Muito bom! Ótimo encerramento após 7 anos de sériado.

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