domingo, setembro 30, 2001

Festival de Cinema do Rio

Dei início ontem a maratona cinematográfica do Festival, no reformado Odeon. Cara, o que é aquele cinema após a reforma? Me lembro que a primeira vez que fui lá ainda moleque com o meu pai e o filme era "The Last Starfighter" ("O Último Guerreiro das Estrelas"). A ampla sala de projeção de dois andares, mezzanino, dá um ar de uma ópera ou mesmo um grande teatro. Ao olhar para o teto totalmente decorado, destacando-se uma imponente abóbada e o candelabro. Há um palco de fronte a tela de exibição, talvez onde ficasse a orquestra, e os filmes começam com a abertura de uma enorme cortina vermelha. Fechado em 98 se não me engano, na leva que fechou quase todos os grandes cinemas de rua da Cinelândia, o Odeon foi reformado e agora conta com um som de qualidade (Dolby Digital) e projetores de última geração.

Pois bem, chegamos faltando quase 10 minutos para o filme começar, mas a fila estava monstruosa com mais de 400 pessoas na sua maioria composta por moderninhos e pessoas "estranhas" de cinema. Como já tinha comprado os ingressos pela internet perguntei se era a fila para a bilheteria, ledo engano, era para entrar mesmo. Esperamos uma meia hora, pois na sessão anterior o Luiz Carlos Barreto ficou inspirado e resolveu fazer um discurso de meia hora atrasando as demais sessões. No segundo andar, onde ficamos, a "intelligentia" carioca se apertava entre champanhe e canapés além de promover cenas patéticas tais como lutar por "brindes", miçangas e bugigangas que estavam sendo distribuídos. Os atores (Betty Farias, José Wilker etc) e os diretores eram paparicados pelos puxa-sacos de plantão. Se tem uma coisa que eu odeio é este pseudo-social intelectualóide.

Voltando ao filme...

Bem, o tal filme era "Um Casamento a Indiana" e eu o recomendo muito. Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza é um filme divertido, colorido e nada a ver com aqueles filmes suecos chatos e pernósticos no qual a câmera fica meia-hora apontando para o horizonte em silêncio. Trata dos preparativos em Nova Delhi para um casamento arranjado às pressas. Várias histórias se entrelaçam, retratando diferentes aspectos do amor entre os personagens, principalmente os noivos e o impagável Dubey. Outro aspecto interessante é mostrar o dia-a-dia de uma família rica indiana, afinal em sua sociedade de castas esta realidade mostrada equivale a menos de 1% da população. Valeu a pena a espera e cada centavo do ingresso. Ao final teve a palhaçada dos aplausos e imediatamente todos os críticos de plantão começaram a discutir a mensagem étnica e a pós-modernidade contida nas referências e metáforas do filme. Saimos imediatamente para terminar a noite afundando um barco de sushi no Manekineko.

Update : Eu, Tetê e Juju (isso parece início de piada) não conseguimos assistir a única sessão de "Apocalipse Now Redux", a versão integral Director's Cut de 4 horas do Coppola. Motivo, ingressos COMPLETAMENTE esgotados dois dias antes. Fazer o quê? Mas quarta-feira tem "Ghost World" no Espaço Unibanco. Este, com os ingressos já comprados e no meu bolso.

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