QuadrinhosSou leitor de quadrinhos desde que aprendi a ler, pensando bem, aprendi a ler por causa dos quadrinhos. Roubava o trocado do pão e saia correndo para a banca do Seu Zé com a mão cheia de moedas de centavos para comprar as revistinhas em quadrinhos. Inicialmente Tio Patinhas, Cebolinha, Mônica&Cia e com as revistinhas da felecida Ebal conheci os hérois Marvel e da DC, as antigas duas super-potências deste mercado. No começo da década de 80, 83 para ser mais exato, eu me tornei um leitor ávido. Juntava a grana do lanche do colégio (bem melhor que os trocados de casa), pegava a bicicleta e fugia para a livraria do Hiper Bom Preço em Natal para torrar tudo em revistas e figurinhas. Lá era a minha biblioteca particular e um dos meus templos sagrados, junto com o flipper, a pista de bicicross e a piscina do Iate. Conheci a Heavy Metal, a Metal Hurlant (que eram completamente fora da minha realidade financeira de 9 anos de idade) e claro, as revistas da Marvel e DC empilhavam no meu quarto dia a dia. A Marvel nesta época era o que havia de melhor, todos os grandes heróis eram dela (Homem-Aranha, Demolidor, X-Men, entre outros) e as estórias forcavam você a esperar o próximo número, contar os dias, para saber o que tinha acontecido com o Capitão América ao se atirar do Zeppelin do Caveira Vermelha. Em alguns anos viriam clássicos como Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Piada Mortal e o fim de uma fase aúrea das HQ americanas. A década de 90 foi um balde de água fria, com o surgimento da Image Comics o impacto visual acabou se tornando mais vendável do que bons roteiros e Spawn & Cia nunca venderam tanto. Não pensem que eram péssimas revistas, mas eu prefira ver um pouco menos de porrada e ler um pouco mais de estória. Neste ponto eu parei de ler heróis, tinha coisa melhor para fazer da vida...
Ok... mas onde quero chegar?
De bobeira um dia na Amazon, resolvi procurar o que havia de bom no mercado. Dei de cara com um título escrito pelo Kurt Busiek (da maravilhosa série Astro City) e do George Perez (para quem cresceu lendo quadrinhos sabe de quem é este cara) e pensei: isso não pode ser ruim! E realmente lavou a minha alma. Os dois devem ter pensado o mesmo, onde está aquela Marvel que nós tanto gostavamos de ler, aonde estão os heróis? Fizeram um trabalho fantástico.
The Avengers: The Morgan Conquest, resgata aquele espírito da Marvel antiga, das grandes sagas, dos grandes conflitos que apenas os Vingadores podem salvar a Terra da destruição total, ou neste caso, da dominação completa por um grande vilão (Morgana Le Fay da fábula do Rei Arthur). É uma leitura completamente despretensiosa, com um roteiro simples e o ótimo traço do George Perez. Não é nenhuma obra de arte, mas foi um gosto de ler. Foi voltar 20 anos no passado e torcer pelo próximo capítulo. Se você alguma vez já foi leitor de quadrinhos de super-heróis, este é o album que você deve comprar.
posted by Hiro at 19:20
:: Responda! ::
0 comments